Fim de ano. Começo de ano. Natal, reveillon, comilança e gastança. Algumas horas em frente à TV e pronto! Eis a receita para testemunhar coisas manjadas que nunca mudam e que nos causam muita desconfiança. Por ocasião da tragédia das Tsunamis no sul da Ásia, passei mais tempo em frente da TV como de costume e constatei as seguintes coisas manjadas.
1 - Cantor de pagode e sertanejo organizando partidas "beneficientes". De uma hora para a outra há um "surto" de bondade nesta gente que passa o ano todo despejando porcarias no ouvido do povo. E o "papinho furado" que estão fazendo um bem para a sociedade arrecadando alimentos. São bonzinhos com a contribuição dos outros!
2 - Liquidações pós natal. "Tudo pela metade do preço!" "Descontos de até 70%!" "Queima de estoque!". Cansamos de ver e ouvir essas propagandas. Perguntar não ofende, né? Quer dizer que antes do natal o povo paga mesmo tudo mais caro? Se era possível vender tão barato porque não o fizeram antes do dia 25 de dezembro?
3 - Na corrida de São Silvestre, aqueles "atletas" fantasiados de tudo quanto é coisa que se imagina. Tem Bin Laden, mosquito da Dengue, Bush, Dólar e até homem bomba. É tanta palhaçada que parece que a corrida tem meia dúzia de atletas sérios que sempre vem da África (Kênia) ganham todas e o restante dos participantes são milhares de palhaços, brasileiros diga-se de passagem.
4 - Ainda na corrida de São Silvestre, quando surge lá um brasileiro que se aproxima das primeiras posições tem sempre uma história triste de vida. Já reparou como é comum aquele papinho de "superação", "problemas de toda ordem", "falta de dinheiro", "comia de marmita", "não tinha lugar para treinar" e outras desculpas melosas. Se nossos atletas são tão importantes porque os responsáveis não resolveram tais questões a anos, fazendo com que os bons atletas alcancem as primeiras colocações como sendo resultado de preparação, investimento e treino e mais treino.
5 - Quer coisa mais manjada nestas épocas do que a linguagem da tv? Tudo é no superlativo; "super programação", "super seleção de filmes", "super elenco". E sempre tem o termo "galera" para garantir o acesso aos jovens; "a galera vai se arrepiar", '"a galera..."
6 - As retrospectivas são repletas de imagens "importantes" do ano em câmera lenta, com direito a trilha sonora e muita "emoção". O que houve de "melhor" ou "pior" no ano passa necessariamente pela edição de alguém que deseja que você chore em frente à TV.
7 - Estradas lotadas em direção as praias. Já reparou como a cena dos congestionamentos monstros nos pedágios já virou clássica? Se fala muito nas festas nas praias, mas pouco do inferno que é estar nas cidades do litoral que estão preparadas para receber 300, 400 mil pessoas e tem que suportar quase o triplo. Experimente saber de moradores destas cidades o que acham da invasão dos turistas. Fui saber com vários deles. São impublicáveis suas opiniões.
8 - É secular eu sei, mas as comemorações das festas de fim de ano com fogos de artifício é uma outra coisa "manjadinha". Manjada mesmo é a supresa que causa nas pessoas quando se deparam com as tragédias de gente que perde dedos, mãos, braços e até morrem vítimas de fogos. Se espantam quando fábricas inteiras vão para os ares. Ué? Por que o espanto se a idiotice tem que manter a tradição? No reveillon de 2004, o que dizer da mulher que morreu em São Paulo após uma bomba atingir sua cabeça? Podem me chamar de babaca, mas se tivesse algum poder nas mãos iniciaria uma campanha contra os fogos de artifício.
9 - Quer coisa mais manjada nesta épocas do que gente sem dinheiro em janeiro? Ué? O povão não tinha que entrar no "espírito natalino"? Não tinha que "comemorar a virada"? Muita gente o faz ao pé da letra. Gasta o que tem, o que não tem e fica esperando encontrar uma forma de gastar um pouco mais. Aí vem janeiro; IPVA, IPTU, material escolar, matrícula dos filhos e dá-lhe prestação das Casas Bahia.
10 - Coisas horríveis assolaram o mundo no final de 2004. A tragédia na Ásia que desequilibrou o planeta. Financeiramente e fisicamente. O incêndio na discoteca em Buenos Aires. O papo furado de crescimento econômico no Brasil com pouco emprego e sem melhoria nos salários. Sem contar a violência e as "bombas relógio" das prefeituras que foram assumidas pelos novos prefeitos. Manjado mesmo é o "surto" de bondade nas pessoas nesta época do ano. Passadas as festas o que fica mesmo é uma certeza; O mundo real retorna cruel e amargo a partir da primeira semana de janeiro. Tá certo que famílias se encontram, se reencontram e celebram a vida e as boas realizações. Mas são sensações passageiras. Tudo isso deixará de ser manjado quando celebrações autênticas dominarem corações sem comilanças, presentes, fogos de artifício e qualquer indício que sugira que o homem para ser feliz plenamente dependa tanto de coisas materiais.
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Thanks to Doni ( donieahistoria@aol.com )
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